Apneia do sono pode causar demência

Mulheres mais velhas que sofrem de apneia do sono, caracterizada por interrupção da respiração e do sono e pela redução no consumo de oxigênio, são cerca de duas vezes mais propensas a desenvolver demência dentro de cinco anos, de acordo com um estudo liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

A descoberta, publicada na revista "American Medical Association", mostrou pela primeira vez o que especialistas do sono têm suspeitado há bastante tempo, mas não provaram: que a apneia do sono, também conhecida como distúrbios respiratórios do sono, pode privar o cérebro e outros órgãos do oxigênio de que necessitam e pode, ao longo do tempo, iniciar uma queda da capacidade cognitiva.

"Este é o primeiro estudo a mostrar que apneia do sono pode levar a comprometimento cognitivo", disse a autora do estudo, Kristine Yaffe, professora de psiquiatria, neurologia e epidemiologia na Universidade da Califórnia.

Isso sugere que há uma ligação biológica entre sono e cognição e também indica que o tratamento da apneia do sono pode ajudar a prevenir ou retardar o início de demência em adultos mais velhos.

Em pessoas com apneia do sono, as vias aéreas que ligam os pulmões ao nariz e à boca entram em colapso enquanto a pessoa dorme, interferindo na capacidade de inalação. Esses indivíduos geralmente roncam, e costumam acordar muitas vezes à noite por pequenos períodos de tempo.

Pesquisas anteriores indicavam uma associação entre a apneia do sono e a demência, mas esses estudos não foram elaborados para acompanhar o impacto do distúrbio em pessoas que tinham habilidades cognitivas normais no início do acompanhamento. Foram analisadas durante cinco anos 298 voluntárias sem qualquer sinal de demência.

+ O Globo