Apneia obstrutiva do sono reduz fornecimento de sangue para o coração

Apneia obstrutiva do sono pode causar alterações na função dos vasos sanguíneos, que reduz o suprimento de sangue ao coração em pessoas saudáveis. A afirmação é de pesquisadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido. Os resultados divulgados pela American Heart Association mostram também que tratamento com 26 semanas de pressão positiva contínua (CPAP) melhora a oferta e a função do sangue entre os pacientes.
Apneia obstrutiva do sono afeta cerca de 15 milhões de adultos nos Estados Unidos. O distúrbio pode contribuir para a pressão alta e doenças cardiovasculares. "Os resultados devem mudar a forma como os médicos tratam os pacientes com apneia obstrutiva do sono. Mesmo os pacientes aparentemente saudáveis com apneia do sono mostram anormalidades dos vasos sanguíneos pequenos e grandes, bem como suprimento de sangue deficiente para o músculo cardíaco e estes podem melhorar com a terapia CPAP", disse o autor do estudo, Gregory YH Lip.
O tratamento CPAP fornece um fluxo de ar constante que mantém as vias aéreas abertas para garantir a respiração ininterrupta durante o sono. Isso elimina eventos de apneia e permite ao paciente obter um sono reparador.
Segundo os investigadores, reverter anormalidades nos vasos sanguíneos pode ajudar os pacientes com apneia obstrutiva do sono que são saudáveis a evitarem o desenvolvimento e a morte por doenças cardiovasculares.
Pesquisadores procuraram por alterações na função dos vasos sanguíneos em 108 participantes saudáveis - sem diferenças de idade, sexo, índice de massa corporal e tabagismo - divididos em três grupos:

  • 36 pessoas com apneia obstrutiva moderada ou grave do sono sem pressão arterial elevada;
  • 36 pacientes com pressão arterial elevada sem apneia obstrutiva do sono;
  • 36 pacientes sem pressão arterial elevada e sem apneia obstrutiva do sono.
  • Pesquisadores utilizaram diversas técnicas para avaliar a função dos vasos sanguíneos, incluindo ecocardiografia com contraste do miocárdico para verificar o fornecimento de sangue ao músculo cardíaco.
    Todos os pacientes receberam a terapia CPAP. De acordo com a equipe de pesquisa, estudos aleatórios ainda serão necessários para confirmar os efeitos benéficos da intervenção sobre os vasos sanguíneos.
    Além disso, os pacientes do grupo controle não foram tratados com a terapia CPAP, que teria sido clinicamente injustificada porque nenhum tinha apneia obstrutiva do sono.