Apneia: a vilã escondida no ronco

  • by admin - ter, 11/01/2011 - 01:42
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Mais comum entre os homens, principalmente por fatores hormonais, a apneia obstrutiva do sono se mascara no ronco alto e gera graves consequências para cerca de um terço da população. Ela ainda figura como culpada de uma maior taxa de mortalidade e ataca tanto adultos quanto crianças. Mesmo assim, grande parte das pessoas desconhece a presença da doença e ignora que quando identificada e tratada pode trazer a melhora dos sintomas e da qualidade de vida.

A apneia acontece quando uma pessoa dorme e os seus músculos relaxam. Nesse momento, a garganta se fecha fazendo com que ela pare de respirar por um intervalo de tempo. "Ainda pode existir a hipopneia, na qual a respiração fica reduzida - mas não para completamente - pela mesma razão", explica Pedro Genta, presidente da sub-comissão de Distúrbios Respiratórios do Sono da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT). As pausas contabilizadas têm duração superior a dez segundos, mas podem ultrapassar um minuto em casos mais raros.

Nas crianças essa doença pode atrapalhar no crescimento e acarretar em perda de peso. Nos adultos, as principais complicações são cardiovasculares, como a hipertensão, crescimento do número de infartos do miocárdio e, assim, um aumento significativo da taxa de mortalidade. Além desses efeitos, ela também pode facilitar o aparecimento do diabetes.

Sintomas

Além do ronco alto e frequente, a apneia pode apresentar outros sintomas. Nos adultos, sonolência durante o dia, cansaço excessivo, acordar sem a sensação de descanso, urinar diversas vezes no período da noite, cefaléia, problemas de memória e ansiedade. Já nas crianças, podem apresentar sono agitado, hiperatividade durante o dia e maior extensão do pescoço enquanto dormem (para tentar capturar mais ar).

Diagnóstico e tratamento

Por ser considerada uma enfermidade de causas multifatoriais, não existe apenas um tratamento possível e é difícil falar sobre cura. As causas podem variar entre excesso de peso, problemas respiratórios, sedentarismo, tabagismo e outras. Além disso, a apneia é dividida em níveis de gravidade e cada um precisa de um tratamento específico. Para que ela possa ser diagnosticada, e o grau identificado, o método mais aceito é a polissonografia. Esse exame é tradicionalmente realizado em hospitais ou laboratórios nos quais a pessoa dorme e é monitorada por aparelhos que contabilizam quantas vezes ela irá parar de respirar por hora. Dessa forma, o pneumologista consegue chegar a um resultado mais assertivo.

A partir daí, ele recomendará como tratar os sinais presentes em cada paciente. "Esse tratamento funciona enquanto for utilizado. Da mesma forma que um óculos, ele só surtirá efeito enquanto a pessoa fizer uso dos aparelhos", esclarece Genta. Dentre esses estão o uso de aparelhos ortodônticos ou da máscara CPAP, que gera ar sob pressão diretamente no nariz do paciente (semelhante a um aparelho de inalação), promovendo a dilatação da garganta e impedindo que ela se feche. Em casos mais restritos pode ser recomendada uma cirurgia para corrigir problemas relacionados à garganta ou nariz.

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