Distúrbio do sono REM é fator de risco para o Parkinson

O distúrbio comportamental do sono REM (fase do sono na qual ocorrem os sonhos), caracterizado por pesadelos nos quais a pessoa grita, chora, dá socos ou pontapés, pode ser um problema anterior ao desenvolvimento da doença de Parkinson. O último de três estudos sobre a associação entre os dois problemas acaba de ser publicado no periódico médico britânico Lancet Neurology.

O primeiro trabalho, realizado em 2006, mostrou que 45% dos pacientes que sofrem de distúrbios comportamentais do REM acabam desenvolvendo Parkinson ou outras doenças neurodegenerativas causadas pela falta de dopamina no cérebro. O segundo estudo, por sua vez, descobriu que testes de neuroimagem que medem a dopamina no cérebro são úteis para identificar pacientes com distúrbios no sono REM com mais riscos de desenvolverem doenças neurodegenerativas.

A última das três pesquisas, a que acaba de ser publicada, usou a tomografia computadorizada para quantificar os níveis de dopamina no cérebro dos pacientes com distúrbios comportamentais do sono REM. Descobriu-se, assim, que os níveis do neurotransmissor diminuem rapidamente nesses pacientes, com o passar dos anos.

Durante o terceiro estudo, os pesquisadores analisaram por três anos a evolução dos exames de tomografia computadorizada de 20 pacientes com distúrbios comportamentais do sono REM e de 20 pacientes saudáveis, usados como grupo de controle. Com a técnica de neuroimagem, foi medida a presença de dopamina na substantia nigra, região do cérebro responsável pela produção de dopamina e associada ao aprendizado e à harmonia dos movimentos do corpo.

Na doença de Parkinson, uma deficiência de dopamina na substantia nigra causa tremor, rigidez e lentidão dos movimentos nos pacientes. Os resultados mostraram que, depois dos três anos de monitoramento, o grupo controle teve uma redução na produção de dopamina de 8%, devido ao avanço da idade. Já os pacientes com distúrbio no REM tiveram uma redução de 20%. Dos 20 pacientes deste último grupo, três tinham desenvolvido Parkinson e apresentaram uma redução de dopamina de cerca de 30%.

Com a finalização dos três trabalhos, a equipe de pesquisadores liderada por Àlex Iranzo, do Hospital Clínico de Barcelona, concluiu que é necessário a criação de drogas neuroprotetoras que previnam a progressão dos distúrbio de comportamento do sono REM para o Parkinson. De acordo com eles, pela primeira vez os cientistas têm uma técnica – a tomografia computadorizada – para avaliar se essas drogas são efetivas.

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