Estudo sugere causa para síndrome das pernas inquietas

A síndrome da perna inquieta (RLS) pode parecer ter saído de um filme de horror dos anos 50. E para alguns afetados por ela, é realmente.

Essa aflição causa um irresistível desejo de mover as pernas com freqüência acompanhado por sensações de um bicho subindo nas mesmas. As sensações só são aliviadas com movimentos, e pioram quando anoitece. Noite após noite, a insônia ocorre para milhões, que sofrem com RLS, e para seus companheiros.

Uma vez que se sabe pouco sobre o que causa a doença, pesquisadores da Penn State College of Medicine e Johns Hopkins University começaram a estudá-la. A equipe coordenada por James Connor, PhD, professor do Departamento de Neurociência e Anatomia da Penn State College of Medicine, realizou a primeira autópsia nos cérebros de pessoas com a enfermidade. Essa descobriu uma possível explicação para essa síndrome. "Nós descobrimos que embora não existam alterações patológicas únicas nos cérebros dos pacientes com RLS, parece que células na porção central do cérebro não estão obtendo ferro suficiente." , disse Connor.

"Foi um alívio para muitos saber que não havia degeneração neurológica nem perda ou dano nas células do cérebro, como se vê nas doenças de Parkinson e Alzheimer." , acrescentou. A descoberta de uma causa física para essa desordem estabelece-a como um problema sensorial no músculo ao invés de um dano psicológico. Visto que as células não estão perdidas ou danificadas, mas sim com deficiência de ferro, há mais esperança que tratamentos possam ser desenvolvidos.

Para o estudo, Connor examinou o tecido de cérebro adquirido da coleção de cérebro da Restless Legs Syndrome Foundation na Harvard Brain Bank. Tecido de sete pessoas com a síndrome foram examinados, e amostras de cinco pessoas sem condições neurológicas serviram de controle. Lâminas transversais da substância negra, porção do meio do cérebro, que se supões desempenhar algum papel na RLS, permitiram à equipe de pesquisa examinar as estruturas e funções celulares.

Para evitar influência, durante o exame, o analista não sabia se as amostras eram de um paciente com ou sem RLS. Embora, há muito tempo, se suspeite que a deficiência de ferro tenha alguma relação com a RLS, o estudo de Connor descobriu a ausência de um receptor específico para o transporte do mesmo nos pacientes com a síndrome. Quando esse mecanismo funciona mal, uma quantidade de ferro suficiente entra nas células do cérebro para mantê-las vivas, porém não o suficiente para que elas funcionem perfeitamente.

Essa falta de ferro pode causar uma falha na transmissão dos sinais neurais para as pernas, criando a sensação de um bicho subindo nelas. "Isso não significa necessariamente que uma pessoa tem uma dieta deficiente em ferro e precisa de suplementos," diz Connor, "mas sim que esses receptores não estão empacotando e entregando uma quantidade de ferro adequada para as células específicas nessa porção do cérebro." Isso explica porque alguns pacientes encontram alívio temporário ao ingerir suplementos de ferro, mas é importante que o suplemento alimentar seja medicado por um médico.

Embora não sejam aprovados pelo FDA para o tratamento da RLS, algumas prescrições de drogas que forma aprovadas para outras condições, têm aliviado temporariamente os sintomas em alguns pacientes.

Uma dessas drogas é a usada para acalmar os tremores da doença de Parkinson. A explicação para a droga ter efeito é que as células do cérebro de um portador de RLS que possuem deficiência em ferro são as células que produzem o neurotransmissor da dopamina, e a síntese dessa requer ferro.

+ Association of Professional Sleep Societies