Exercícios físicos e controle do sono aliviam enxaqueca

  • by admin - seg, 05/09/2016 - 14:07
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Hoje, em todo o mundo, pelo menos 300 milhões de pessoas sofrem de enxaqueca. No Brasil, são 30 milhões. Para quem acha que as vítimas desse mal reclamam demais, saiba que a Organização das Nações Unidas (ONU) classificou a doença entre as cinco mais incapacitantes, ao lado de tetraplegia, depressão, psicose e demência. A enxaqueca pode ser crônica, aquela com crises que comprometem ao menos metade de um mês, ou episódica, com dores lancinantes que duram menos de 15 dias.
 
"A enxaqueca é uma dor de cabeça bastante comum, que afeta cerca de 12% da população. Embora na infância a enxaqueca se expresse em meninos e meninas em igual proporção, a partir da adolescência a enxaqueca se expressa mais nas mulheres (proporção de três mulheres para cada homem)", explica o neurologista Pedro Kowacs, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia. "Já a cefaleia em salvas é bem mais rara e curiosamente afeta mais os homens (na proporção 7 por 1 em relação às mulheres). É mais intensa que a enxaqueca, geralmente ocorre diariamente e em períodos definidos do ano, e se associa a fenômenos autonômicos do mesmo lado, tais como vermelhidão do olho, lacrimejamento, coriza e obstrução nasal", informal.
 
Segundo o neurologista Mario Fernando Peres, do hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, a enxaqueca tem características distintas, lateja, tende a ser mais forte, ocorrer de um lado da cabeça, piorar com esforço, e junto aparece incômodo com luz e barulho e náuseas. "A dor é um sistema de defesa, que sinaliza quando algo não está bem no organismo. Quando a dor é repetitiva e gera impacto na vida da pessoa, um médico deve ser consultado", alerta. 
 
Principais causas
 
Peres explica que a enxaqueca pode ser desencadeada por qualquer sobrecarga, física e emocional. "Dividimos em desencadeantes alimentares, hormonais, emocionais, ambientais e sono", diz. Kowacs reforça que os desencadeantes da enxaqueca podem ser vários, internos (por exemplo, flutuações hormonais nas mulheres, estresse) ou externos (ingestão de bebidas alcoólicas). "Uma atividade cerebral excessiva e anormal liga os mecanismos da dor, os quais liberam substâncias que inflamam as veias e artérias das meninges (membranas cerebrais)", esclarece. 
 
Automedicação atrasa solução
 
Segundo o neurologista Mario Fernando Peres, do hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, automedicação é sempre prejudicial à saúde, e com a dor de cabeça não é diferente. "Pode atrasar o tratamento correto, pode haver intoxicação com uso exagerado de analgésicos e a 'cronificação' da dor", diz. Peres ainda orienta que existem no mercado outros tratamentos não farmacológicos eficazes, como fisioterapias, psicoterapias, atividade física, acupuntura e higiene do sono. 
 
Luz no fim do túnel
 
Estudos conduzidos por quatro empresas farmacêuticas, publicados recentemente no jornal The Lancet, revelaram um promissor mecanismo de ação específico contra um alvo que deflagra a doença. A droga, ainda em fase de teste, é um anticorpo monoclonal, uma molécula produzida em laboratório capaz de chegar a seu destino sem provocar efeitos secundários no organismo. O medicamento bloqueia um composto químico cerebral, o CGRP. O CGRP é produzido como uma forma de defesa do organismo diante de variados estímulos externos, como longo período de jejum e estresse. 
 
O que ocorre é que o cérebro do portador de enxaqueca é hipersensível e, assim que recebe esses estímulos, a quantidade de CGRP liberado é elevada. Como não existe no mercado nenhum medicamento desenvolvido exclusivamente para enxaqueca, o que os pesquisadores tentam, durante os testes, é que esse medicamento capaz de bloquear o CGRP consiga controlar o início da crise de enxaqueca - mesmo que não seja possível 'aniquilá-la', controlar a enxaqueca já seria uma vitória. A previsão é que os testes terminem em 2017. Enquanto a droga não chega ao mercado, outras opções já estão ao alcance daqueles que lutam contra essa dor que parece não ter fim. 
 
"Há 20 anos foram idealizados e sintetizados os triptanos, que substituíram com vantagens os ergotamínicos. Diversas novas moléculas para outros alvos foram sintetizadas, mas não puderam ser comercializadas devido a efeitos colaterais. Na sequência, foi demonstrado que o botox era eficaz no combate da enxaqueca crônica (mais de que 15 dias por mês). Atualmente, temos duas grandes novidades: as orteses neuroestimuladoras, que levam estímulos ao cérebro para que ele reforce suas próprias defesas contra a dor, e os anticorpos contra alvos moleculares envolvidos na dor da enxaqueca", anuncia Pedro Kowacs, presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia. 
 
Classificação da Enxaqueca
 
O paciente com enxaqueca tem episódios repetidos de dor de cabeça, que dura de quatro a 72 horas, em que a dor tem pelo menos duas de quatro características: unilateral, latejante, moderada a intensa, sendo agravada pela atividade rotineira, associada à aversão por luz, a ruídos, náuseas e vômitos  
Quando falta apenas um dos critérios, chamamos de provável enxaqueca  
Quando a dor durar mais do que 72 horas, chamamos de estado enxaquecoso  
Quando ocorrem sintomas neurológicos focais, chamamos de enxaqueca com aura 
Quando o paciente evolui para 15 dias de enxaqueca ou mais por mês, nos últimos três meses, chamamos de enxaqueca crônica  
Esses critérios foram formulados pela International Headache Society, da qual a Sociedade Brasileira de Cefaleia é afiliada e ajuda na divulgação de informações 

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